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Quantas águias-pesqueiras invernam em Portugal?
Situação da espécie no mundo e Europa
A águia-pesqueira Pandion haliaetus é uma das espécies de rapina mais cosmopolitas do mundo, uma vez
que se encontra distribuída por todos os continentes, exceptuando a Antárctida. Na Europa, a espécie
reproduz-se principalmente no centro e no norte do continente, havendo depois populações pequenas e
fragmentadas ao longo dos países mediterrânicos (Espanha, Itália e principalmente nas ilhas
mediterrânicas). Neste continente estima-se que existam 8400-12300 casais reprodutores, o que
representa cerca de 14% da população mundial (Fonte:
Birdlife). Em termos mundiais, a espécie possui um
estatuto de conservação classificado de pouco preocupante (LC)

As populações de águia-pesqueira do centro e norte do continente europeu escolhem a bacia do
Mediterrâneo (nomeadamente a Península Ibérica e o Norte de África), assim como os países de África
Tropical para passar os meses de Inverno. Pelo contrário, as aves dos países do sul da Europa possuem
um comportamento essencialmente sedentário, ou seja, apenas realizam dispersões locais, o que significa
que nunca se distanciam muito do local onde se reproduzem e não efectuam migrações de longa distância.  
Origem do “Dia da Águia-pesqueira”
Apesar de ser considerada uma espécie invernante regular em Portugal continental, até janeiro de 2015, mês em que se realizou
o primeiro “Dia da Águia Pesqueira”, não tinha decorrido qualquer censo dirigido a esta espécie que tivesse como principais
objetivos a determinação do número de águias-pesqueiras que por cá invernam e a respetiva área de distribuição geográfica.
Motivados pela perspectiva de conseguir obter mais informação acerca da população invernante, um grupo de ornitólogos por
intermédio do “Forum Aves” decidiu realizar, em janeiro de 2015, o primeiro censo nacional com o objectivo de contar o número de
águias-pesqueiras que invernam no território continental português. Esta iniciativa foi baptizada   como “Dia da Águia-pesqueira”.

Selecção dos locais a visitar
Durante o período de invernada, a águia-pesqueira frequenta essencialmente zonas húmidas, tanto litorais (nomeadamente
estuários e lagoas costeiras) como no interior (albufeira e cursos de rios caudalosos). Assim, procurou-se mobilizar
observadores para os vários locais com potencial de ocorrência de águias-pesqueiras.

Dia da Águia-pesqueira – 24 de Janeiro de 2015
Neste primeiro censo foram visitados os locais com registos anteriores de invernada da espécie, bem como outros locais em que
se considerou haver probabilidade de presença da espécie, tendo em conta as características do habitat. Para este censo contou-
se ainda com a ajuda de um barco que percorreu o baixo Tejo, para jusante de Santarém. Neste dia participaram 130 voluntários
de norte a sul do país, entre os quais, ornitólogos, observadores, fotógrafos de natureza e apaixonados das aves. Neste censo
contaram-se entre 71 a 82   águias-pesqueiras invernantes, correspondendo o valor mínimo ao número real de aves observado
com possíveis duplicações de indivíduos.
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Situação da espécie em Portugal
A águia-pesqueira foi relativamente comum como espécie nidificante no princípio do século XX (22-30
casais reprodutores estimados), apresentando nessa época uma distribuição alargada ao longo da costa
rochosa, desde a Estremadura (possivelmente incluindo o Pinhal de Leiria  ) até à costa sul algarvia (zona
de Albufeira). Ao longo do século XX registou-se uma progressiva diminuição da população reprodutora,
sendo apontada como causa principal a pressão humana, quer pelo aumento das áreas urbanas e
turísticas, quer pela degradação dos locais de nidificação. No início da década de 1990 restavam dois
casais, e a partir do ano de 1998 a águia-pesqueira deixou de nidificar regularmente em território nacional.
Contudo, no ano de 2015 registou-se um novo caso de reprodução na Costa Vicentina, num local já utilizado
no passado. Nas últimas duas décadas a presença desta espécie em Portugal tem ocorrido
essencialmente nos períodos de migração pós-nupcial e de invernada. Entretanto em 2011 teve início na
albufeira de Alqueva um projecto de reintrodução da espécie, que tem como objectivo o estabelecimento de
uma nova população nidificante.
Voluntários
Agostinho Gomes, Alexandre Cardoso, Alexandre Leitão, Alice Gama, Álvaro Nunes, Amy Molotoks, Ana Botelho, Ana Carvalho, Ana Luisa Quaresma,
André Carrilho, Andreia Dias, André Kaladynho, António Gonçalves, António Heitor, Angela Cordeiro, António Calado, António Furtado, Arlindo
Fragoso, Armando Caldas, Armando Ferreira, Artur Brandão, Artur Chambel, Associação Amigos da Natureza de Cabeção, Bert Snijder, Carla Freitas,
Carla Veríssimo, Carlos Capela, Carlos de Almeida, Carlos Godinho, Carlos Pacheco, Carlos Rio, Carlos Vilhena, Catarina Pires, César Garcia, Cláudio
Heitor, Cristina Patrício, Cristovam Duarte, Daniel Raposo, Daniela Costa, Darío Cardador, David Santos, David Germano, David Rodriguez, Dina
Correia, Dinis Cortes, Diogenes Breton, Diogo Carvalho, Domingos Leitão, Duarte Rocha, Edgar Matias, Eduardo Carmelo, Eduardo Realinho, Emília
Araújo, Errico Maldatesta, Fabiana Freitas, Fábio Freitas, Fábio Montes, Fer Goytre, Fernando Delgado, Fernando Lopes, Fernando Vieira, Filipe Bally,
Filipe Moniz, Francisco Bernardo, Francisco Fernandes, Francisco Pires, Francisco Santos, Francisco Serrão, Frank McClintock, Francisco Santos,
Frederico Morais, Georg Schreier, Gilberto Pereira, Gilberto Viana, Gonçalo Coimbra, Gonçalo Elias, Guilherme Limas, Guillaume Réthoré, Hannah
Chverton, Hélder Cardoso, Henrique Castro, Horácio Costa, Hugo Areal, Hugo Albuquerque, Hugo Lousa, Hugo Ribeiro, Hugo Zina, Humberto Teixeira,
Isaac Parreira, Isabel Duarte, Isilda Jesus, Ivo Rodrigues, Jaime Pires, Jens D’Haeseleer, Joana Marques, Joana Ramalho, João Edgar, João Ferreira,
João Grenho, João Marques, João Pedro Pina, João Quadrado, João Romãozinho, João Roque, João Silva, João Tiago Tavares, João Tomás,
Joaquim Antunes, Joaquim Simão, Jorge Moreira, Jorge Pereira, Jorge Safara, Jorge Vilela, José Alberto Godinho, José Azevedo Ribeiro, José
Cordeiro, José Faria , José Frade, José Freitas, José Gomes, José Gonçalves, José Heitor, José Paulo Monteiro, José Mourão, José Tavares, José
Teixeira, Juan Bueno Pardo, Júlio Neto, Justyna Fialkowska, Kau Cruz, Keith Wileman, Lars Gonçalves, Leila Duarte, Lena Ourelo, Leonel Folhento,
Leonel Rocha, Lina Vieira, Luís Avelar, Luís Bráz, Luís Catarino, Luís Mesquita, Luís Mota, Luís Salvador, Luís Silva, Luís Sousa, Luís Venâncio,
Madalena Mello Viana, Madalena Viana, Manuel Aldeias, Manuel Cascalheira, Manuel Felgueiras, Manuel Quaresma, Manuela Marques, Marcelo
Dias, Marco Mirinha, Marco Nunes, Marcos Prata, Marcus Carvalho, Maria Elias, Mariana Pandeirada, Mário Estevens, Mário Gomes, Mário Lavrador,
Melanie Hittorf, Michael Davis, Miguel Chaby, Miguel Matias, Miguel Rodrigues, Milene Matos, Miguel Berkemeier, Miguel Santos, Natasha Silva,
Nélson Silva, Nélson Viegas, Nuno Barros, Nuno Bem, Nuno Curado, Nuno Fernandes, Nuno Gomes Oliveira, Nuno Guegués, Nuno Reis, Nuno Ribeiro,
Ortélia Rocha, Paula Alçada, Paula Lopes, Paulo Alves, Paulo Barreira, Paulo Belo, Paulo Coimbra, Paulo Cortez, Paulo Dias, Paulo Dionísio, Paulo
Faria, Paulo Ferreira, Paulo Gil, Paulo Leite, Paulo Loureiro, Paulo Marcos, Paulo Marta, Paulo Roncon, Paulo Santos, Paulo Tenreiro, Pedro
Andrade, Pedro Cardia, Pedro Filipe Pereira, Pedro Inácio, Pedro Lourenço, Pedro Martins, Pedro Mónica Ribeiro, Pedro Moreira, Pedro Prata, Pedro
Ramalho, Pedro Ribeiro, Pedro Sá, Pedro Serafim, Peter Dedicoat, Pierre Guibert, Rafael Marques, Raquel Afonso, Raquel Tavares, Raúl Alexandre,
Renato Bagarrão, Renato Ferreira, Ricardo Brandão, Ricardo Correia, Ricardo Gonçalves, Ricardo Salgueiro, Ricardo Timóteo, Rui Afonso, Rui Dias,
Rui Ferreira, Rui Figueiredo, Rui João, Rui Jorge, Rui Lemos, Rui Lopo, Rui Lourenço, Rui Machado, Rui Morgado, Rui Osório, Rui Pereira, Rui Silva,
Samuel Duarte, Samuel Patinha, Sandra Marisa Oliveira, Sandra Moço, Serafim Riem, Sérgio Correia, Sérgio Doutor, Sérgio Esteves, Sérgio Marques,
Silvério Lopes, Sofía Aparício, Sonia Fernandez, Susana Bilber, Susana Santos, Stuart Mackay, Thijs Valkenburg, Tiago Abreu, Tiago Baptista, Tiago
Caldeira, Tiago Carvalho, Tiago Gomes, Tiago Rodrigues, Tim van Nus, Vasco Ferreira, Vasco Gracias, Vasco Valadares, Verena Basto, Victor Gago,
Vitor Azevedo, Virgínea Duro, Zé Caldinhas, Zung José.
Conclusão
Os resultados obtidos nos três anos de censo, principalmente no último, permitem afirmar que esta iniciativa foi um enorme
sucesso, pois por um lado permitiu conhecer o número de águias-pesqueiras que invernam em Portugal continental e quais os
locais que escolhem para passar os meses de Inverno, e por outro uniu mais uma centena de apaixonados pela avifauna em
torno de um único objectivo, o de conhecer a população invernante de águia-pesqueira em território nacional. O sucesso foi ainda
maior pois com a realização do primeiro “Dia da Águia-pesqueira” conseguiu-se que Espanha realizasse um censo semelhante,
culminando no Inverno de 2016/17 num censo a nível ibérico. A quantificação da população invernante de águia-pesqueira
permitirá a médio-longo prazo, compreender qual a evolução da espécie em Portugal como invernante e no resto da Europa como
reprodutora, mas também, sendo a águia-pesqueira um excelente bioindicador, possibilitará reunir informação sobre a saúde dos
ecossistemas que utiliza, sendo assim mais fácil de agir perante a presença de factores de ameaça.  
Esta iniciativa do “Aves de Portugal” e dos “Amigos del Águila Pescadora” vem demonstrar que cada vez mais a ciência cidadã
pode ser uma ferramenta muito importante no conhecimento das espécies e ecossistemas e, acima de tudo, na conservação e
preservação do meio natural que nos rodeia e do qual dependemos.

Agradecimentos
O “Dia da Águia-pesqueira” é um trabalho exclusivamente voluntário que envolveu quase 300 colaboradores em Portugal. A todos
eles é devido um agradecimento especial, já que a sua motivação e participação continuada que tornaram esta iniciativa possível.
Como forma de agradecimento apresentamos este relatório, o qual se destina não só a todos os participantes das três edições
do “Dia da Águia-pesqueira” mas também à comunidade ornitológica em geral.
Dia da Águia-pesqueira – 23 de Janeiro de 2016
O principal objetivo desta segunda edição passou pela
melhoria na cobertura dos locais com presença de águia-
pesqueira no censo de 2015. Em paralelo com este
segundo censo de águias-pesqueiras em Portugal, a
iniciativa alargou-se ao país vizinho: os “Amigos del Águila
Pescadora”, coordenados pela Fundación Migres,
realizaram um censo semelhante na Comunidade
Autónoma da Andaluzia, Espanha.
Em termos de organização, para este segundo censo,
considerou-se fundamental visitar os locais com mais do
que 5 aves registadas em 2015, bem como aumentar a
área de exploração do rio Tejo. Por isto mesmo, em cada
uma das zonas estuarinas que concentram um grande
número de indivíduos invernantes foi destacado um
coordenador local, que por sua vez, construiu a equipa
local. Estas conseguiram de forma coordenada cobrir os
vários pontos da Ria de Aveiro, dos Estuários dos rios Tejo
e Sado e ainda da Ria Formosa. Foi ainda decidido realizar
uma prospecção alargada na albufeira do Alqueva, com
recurso a barcos. Neste censo o número total de
voluntários aumentou, tendo-se registado um número de
144 participantes. Neste segundo censo a população
invernante de águia-pesqueira foi estimada entre 135 a
150 aves.

Dia da Águia-pesqueira – 14 de Janeiro de 2017
Pelo facto de o censo realizado na Comunidade Autónoma
da Andaluzia ter sido um sucesso, os “Amigos del Águila
Pescadora” decidiram estender a contagem a todo o
território espanhol, o que a juntar ao censo português
permitiria quantificar o número de águias-pesqueiras
invernante na totalidade da Península Ibérica. Neste censo
ibérico participaram 450 observadores (168 em Portugal e
282 em Espanha), tendo-se registado um total de 359-389
águias-pesqueiras invernantes na Península Ibérica no
Inverno de 2016-2017, das quais 155-185 observadas em
território português e 204 contadas em território espanhol.
Mapa com os resultados do censo de Janeiro de 2017
Número de águias-pesqueiras
registadas nos três anos