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Mindelo
A área protegida mais antiga de Portugal, a Reserva Ornitológica de
Mindelo
(ROM), tem uma elevada importância histórica no panorama
ornitológico português. Fundada a 2 de Setembro de 1957, em grande
parte através do esforço de Joaquim Santos Júnior (professor da
Faculdade de Ciências da Universidade do Porto), durante as primeiras
décadas foram desenvolvidos muitos trabalhos sobre a avifauna do
local, com particular destaque para as campanhas de anilhagem de
rola-brava.
Melhor época: Setembro a Março

Distrito: Porto
Concelho: Vila do Conde
Onde fica: Para quem vem do Porto ou de Viana do Castelo o melhor acesso é pela A28, tomar a saída 14
(Mindelo), e depois seguir pela N13 para norte até uma rotunda com uma bomba de gasolina da Cepsa -
virar no sentido do Parque de Campismo de Árvore, e aí virar para a direita até ao estuário do Ave.

Caso pretenda conhecer outros locais para observar aves nesta região, sugerimos:
O estuário do rio Ave é um dos melhores locais para observar aves
As dunas entre Árvore e Mindelo têm um passadiço que facilita a visita à área protegida
Visita:
O local mais indicado para começar a visita é junto ao
estuário do Ave, onde é mais fácil estacionar um
carro. Perto do final da estrada há um pequeno caminho voltado para o estuário (geralmente vedado por
uma corrente, a fim de impedir a passagem dos carros), que dá acesso a uma plataforma a partir da qual se
consegue ver quase todo o estuário. A partir da plataforma é fácil observar várias espécies (dependendo da
altura do ano):
garça-real, corvo-marinho-de-faces-brancas, guarda-rios, gaivota-argêntea, guincho,
garajau-comum, pato-real, borrelho-grande-de-coleira, pilrito-comum, maçarico-das-rochas ou
pisco-de-peito-azul. São também comuns várias espécies de andorinhas, sobretudo
andorinha-das-chaminés e andorinhas-das-barreiras, sendo que estas são mais comuns junto à foz da
pequena ribeira que desagua no estuário. Na zona envolvente ao estuário é comum observar
fuínha-dos-juncos, cotovia-de-poupa, pintarroxo, chasco-cinzento, bico-de-lacre e estorninho-preto (no
Inverno juntam-se a estes alguns
estorninhos-malhados).
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Eventualmente, a área foi ficando esquecida, degradada, e engolida pelo desenvolvimento urbanístico da
região. Recentemente, em 2009, foi reclassificada como
Paisagem Protegida Regional do Litoral de Vila do
Conde e Reserva Ornitológica de Mindelo
(abaixo referida apenas por ROM, por simplicidade), e continua a
nível local a ter uma importância muito grande para a avifauna dada a grande diversidade de habitats que
nela podemos encontrar.

A área original da ROM, situada no concelho de Vila do Conde, incluía a zona florestal, agrícola e dunar das
freguesias de Mindelo e Árvore e o estuário do Ave em Azurara. Presentemente, a reserva perdeu uma boa
parte do seu sector nuclear original, mas ganhou nova área para sul de Mindelo até à foz do rio Onda,
ocupando nesta nova porção sobretudo a faixa litoral.
Continuando para sul no passadiço, há várias entradas para a zona florestal e agrícola da reserva. O
percurso sugerido contorna algumas antigas masseiras (campos de cultivo escavados nas dunas) e sebes
com canas até chegar à grande duna fóssil. Do outro lado há um grande campo agrícola onde no Inverno se
podem observar bandos de fringilídeos (
tentilhão-comum, chamariz, verdilhão, pintarroxo), bico-de-lacre,
alvéola-branca, pardal-comum, laverca e pombo-torcaz. Ocasionalmente pode-se observar bútio-comum,
poupa e peneireiro. No campo há uma zona alagada onde no Inverno ocorre com frequência a
narceja-comum. Na extremidade do campo agrícola, junto às casas, é fácil observar o rabirruivo-preto e a
rola-turca, e durante a noite é frequente escutar vocalizações do mocho-galego.
Saindo da zona do estuário, em direcção a sul, é possível seguir pelo passadiço, que permite a observação
de várias espécies que ocorrem na vegetação dunar. A mais fácil de ver é o
cartaxo-comum, e durante a
época de reprodução são também comuns casais de
borrelho-de-coleira-interrompida (atenção à
possibilidade de encontrar casais de
borrelho-pequeno-de-coleira). No Inverno são comuns bandos de
fringilídeos, sendo os mais típicos na zona dunar os
pintassilgos. Olhando para a praia é fácil observar
grupos de
rola-do-mar e pilrito-das-praias. Andando pelo passadiço passamos eventualmente pela ponte
sobre a foz da ribeira de Silvares, o curso de água que cruza a zona nuclear da ROM. Aqui é fácil observar
pato-real, galinha-d'água, andorinha-das-chaminés e a fuinha-dos-juncos.
Os campos agrícolas são ideais para a observação de bandos de passeriformes no Inverno
Contornando o campo agrícola regressamos à zona florestal, na qual há muitos trilhos (aconselha-se o uso
dos caminhos dos tractores). No bosque misto podem-se observar ou escutar com frequência
pisco-de-peito-ruivo, carriça, melro-preto, tordo-comum, toutinegra-de-barrete-preto, felosa-comum,
estrelinha-de-cabeça-listada, todas as espécies comuns de chapim (incluindo o chapim-de-poupa, que é
relativamente comum),
ferreirinha, gaio, pica-pau-malhado-grande e gavião-da-europa. Durante a noite, no
Verão, pode-se ouvir o
noitibó-da-europa nesta zona. Seguindo de regresso para norte, passamos por
várias zonas de matagal, nas quais se pode escutar a
toutinegra-de-cabeça-preta.
A zona florestal da ROM é constituída por pequenos bosques (sobretudo pinhais, carvalhais e eucaliptais)